Como o Mestre Alexandre
Negociação
A negociação é a fase que precede qualquer interação BDSM, onde ambas as partes irão coletar e proporcionar conhecimento suficiente sobre o outro para que um contrato seja confeccionado. É uma etapa fundamental, mas muitas vezes negligenciada, já que somos humanos e estamos suscetíveis à ansiedade, paixões, desejos e outros sentimentos sobre os quais não possuímos tanto controle. Uma má negociação pode causar uma infinidade de prejuízos a ambas as partes, como frustrações, desperdícios de tempo, decepções, traições, etc.
O mais importante, entretanto, é ter em mente que, na negociação, não há Tops ou bottoms; todos são seres humanos iguais, possuem os mesmos direitos e devem ser tratados com o mesmo respeito entre si. Além disso, honestidade e transparência são extremamente necessárias de ambas as partes e a comunicação entre si deve ser abundante, objetiva e clara.
O Mestre Alexandre, dividimos a negociação em 5 etapas:
Conhecimento pessoal: trata-se dos dados pessoais, atributos físicos e estilo de vida. Nome verdadeiro, ocupação, contatos (e-mail, celular, perfil de rede social, etc.), estado civil, etc. Os atributos físicos (altura, peso, cabelo, cor da pele, tatuagens/piercings, etc.) também são necessários, especialmente no caso de não ter havido ainda primeiro encontro físico. Isso pode ser feito através de descrições, envio de fotos, webcam, etc. Já as informações sobre o estilo de vida são mais relevantes apenas para D/s, onde deve-se conhecer temperamentos, comportamentos, pessoas com quem se relaciona afetivamente, maneiras de se vestir, vícios (legais e ilegais), hobbies, práticas diárias e rotineiras, etc.
Conhecimento sexual e BDSM: refere-se às preferências e práticas sexuais, fetiches, desejos, e papel, experiência, referências e práticas no BDSM. Pode-se ser necessária uma separação entre sexo propriamente dito (seja nudez explícita, ou mesmo sexo oral, vaginal ou anal) e BDSM. Tal distinção é mais comum em interações puramente B/d e S/m, mas também pode estar presente em D/s. Isso incluiria até a definição de sexo para a pessoa (para uns, tocar nos seios não é considerado algo sexual, enquanto que, para outros, sim).
Histórico de saúde: deve ser comprovado um mínimo de saúde e relatados todos os problemas médicos que podem influenciar no estabelecimento de limites ou restringir certas práticas, tanto do Top quanto do bottom. Isso inclui problemas de articulações (que pode requerer cuidados extras em imobilizações, etc.), ingestão regular ou esporádica de medicamentos tarja preta ou não (que podem afetar o discernimento do Top, que precisem estar ao alcance imediato do bottom, etc.), exames de sangue e de HIV, traumas e transtornos de personalidade (abuso sexual, depressão, TPB, bullying ou outro tipo de humilhação/degradação traumática, etc.), cirurgias já realizadas, etc.
Anseios e expectativas: é importante descobrir e conversar sobre como o outro imagina que possa ser a interação BDSM com o(a) parceiro(a). Se será apenas uma interação de única sessão, se há possibilidade de envolvimento emocional, que práticas são imprescindíveis e sua periodicidade, se haverá adestramento, base do BDSM a ser respeitada, necessidade de se manter anônimo no meio, tipo de relacionamento D/s que é almejado, etc.
Estabelecimento de limites: por fim, e de posse de todas as informações possíveis, ambos estabelecem seus próprios limites e negociam sobre os limites alheios, sempre de igual para igual.
A negociação pode transcorrer de maneira formal (um questionário, uma enquete, planilha, etc.) ou naturalmente (numa conversa, num flerte, etc.) e não deve ter duração unânime (ou seja, para uns pode durar uma simples conversa; para outros, um ano ou mais de conhecimento mútuo). É nesta fase que avalia-se o estilo de dominação ou de submissão e suas compatibilidades com suas percepções. Não obstante, temos de ter consciência de que somos totalmente diferentes uns dos outros. Assim sendo, sempre haverá discordâncias de visão e de postura, mesmo no próprio BDSM, mas devemos avaliar se tais discordâncias são irreconciliáveis com seus princípios e ideologias ou se revelam alguma falha de caráter intolerável ou irrecuperável.
Fim da a negociação, o contrato pode ser confeccionado, de maneira escrita ou acordado oralmente. Nele, estarão registradas as necessidadese responsabilidades de cada uma das partes, assim como vários itens relevantes às futuras interações BDSM, como estilo do relacionamento/interação, frequência de contatos e encontros, limites, práticas e cuidados imprescindíveis, etc. É uma ferramenta muito pessoal e que pode apresentar-se em infinitas versões, adaptadas da maneira que couber melhor entre as partes. No caso de uma D/s, o contrato é ainda mais complexo e específico, pois pode dar origem a um adestramento ou encoleiramento. É importante ressaltar que tal contrato, mesmo redigido em forma de documento (e até mesmo registrado em cartório), NÃO possui nenhum efeito legal.
Mestre Alexandre







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